A manhã começa com um viés de alívio na leitura pré-abertura, ancorado pela queda do petróleo após o susto recente no Estreito de Ormuz e por um câmbio mais comportado. O Brent opera a US$ 73,66, em baixa de 2,13%, enquanto o WTI recua 2,24%, movimento que reduz parte da pressão sobre expectativas de inflação e ajuda a reorganizar o apetite a risco antes da abertura da B3. Para Brasil, a referência acionária é o EWZ negociado em Nova York, que avançou 0,97% no overnight, sem representar desempenho da bolsa local no dia. Nos Estados Unidos, os índices refletem o fechamento da véspera: S&P 500 praticamente estável, Nasdaq 100 em alta de 0,75% e Dow Jones com ganho de 0,14%, em uma sessão ainda marcada por seletividade.
As contas externas trouxeram uma fotografia menos negativa do que a esperada pelo mercado. O déficit em transações correntes foi de US$ 3,185 bilhões em maio, abaixo da expectativa de US$ 4,159 bilhões, com o saldo negativo acumulado em 12 meses equivalente a 2,60% do PIB. A balança comercial ajudou a compensar parte das saídas, com superávit de US$ 7 bilhões, exportações de US$ 32 bilhões e importações de US$ 25,1 bilhões. O ponto de atenção está na composição dos fluxos. O investimento direto no país somou US$ 7,974 bilhões, acima da projeção de US$ 5,75 bilhões, mas houve saída líquida de US$ 5,478 bilhões em investimento estrangeiro em carteira, incluindo US$ 3,112 bilhões em renda fixa. As reservas internacionais chegaram a US$ 371,1 bilhões, alta de US$ 4,2 bilhões em relação a abril, enquanto a conta de viagens mostrou déficit de US$ 1,276 bilhão, com maior gasto de brasileiros no exterior.
O dólar aparece a R$ 5,17, em queda de 0,63%, em linha com uma abertura mais sensível à combinação entre petróleo mais baixo, dados externos e expectativa sobre a trajetória da Selic. A curva doméstica ainda opera em patamar elevado, com DI de 1 ano a 13,95%, 3 anos a 14,61% e 5 anos a 14,59%, enquanto a Selic meta está em 14,25% e o Focus aponta Selic de 14,0%. A leitura de inflação segue como peça central. O IPCA em 12 meses está em 4,72%, enquanto o Focus para IPCA está em 5,3322%, e o mercado avalia sinais recentes de inflação mais comportada, como o IPCA-15 citado nas matérias, para calibrar expectativas sobre o Banco Central. Nas commodities, a queda do petróleo contrasta com alta de soja e milho em Chicago, enquanto o minério de ferro oscila pouco, a US$ 100,37.
O noticiário corporativo reforça a importância de controles, rastreabilidade e cultura de governança. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, empresa que informa ter mais de 70 fundos sob custódia e US$ 22 bilhões de ativos sob gestão, em meio a investigações ligadas ao caso Master e a operações anteriores da Polícia Federal. O caso amplia a sensibilidade do mercado a estruturas fiduciárias, administradores e distribuidores no ecossistema de fundos. A Americanas também voltou ao centro do debate com nova fase da Operação Disclosure, agora mirando acionistas de referência, ex-conselheiros e executivos de bancos. A discussão vai além da fraude contábil em si e recoloca no primeiro plano a pergunta sobre quem tinha meios, dever ou incentivos para identificar inconsistências. Em paralelo, a intervenção da SPTrans nas linhas da Transunião, após investigação do MPSP sobre suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC, e a pressão sobre a Meta por conteúdo explícito no Instagram mostram que risco reputacional e regulatório continuam atravessando setores muito diferentes.
| Investidor | Dia | 30 dias | 60 dias | Ano |
|---|---|---|---|---|
| Estrangeiro | -0,9 bi | -9,8 bi | -28,7 bi | +33,0 bi |
| Institucional | +0,3 bi | +4,4 bi | +18,7 bi | -50,7 bi |
| Pessoa física | +0,3 bi | +3,9 bi | +10,3 bi | +3,3 bi |
| Inst. Financeira | +0,1 bi | +1,4 bi | +1,9 bi | +3,1 bi |
| Outros | +0,1 bi | +0,1 bi | -2,1 bi | +11,4 bi |